Cacau que cresce dentro da mata ganha selo em Linhares

Município cria certificação para valorizar o cultivo sob a Mata Atlântica em uma cadeia que concentra mais de 70% da produção capixaba.

Por Redação ·

Cacau que cresce dentro da mata ganha selo em Linhares

<p>Em Linhares, uma parte do chocolate começa debaixo de árvores centenárias. O cacaueiro cresce à sombra da Mata Atlântica, sem derrubar a floresta, e é esse jeito de plantar que o município decidiu valorizar. Os produtores que cultivam assim vão poder exibir um selo municipal de produção sustentável.</p><p>O selo foi criado pela Lei nº 4.465, sancionada pelo prefeito Lucas Scaramussa. A mesma lei institui uma política de incentivo a esse modelo, chamado de cabruca pelos produtores.</p><p>O município responde por cerca de 70% da produção do Espírito Santo, terceiro maior produtor do país, segundo o governo do estado. Em 2023, as lavouras capixabas renderam 13,7 mil toneladas de amêndoas em 17,7 mil hectares.</p><p>No sistema cabruca, o produtor planta o cacau sob a copa das árvores nativas. A mata fica, e o cacaueiro, que gosta de sombra, cresce protegido. O resultado é uma lavoura que também conserva solo, água e biodiversidade.</p><p>No Espírito Santo, esse é o modelo dominante. Segundo dados da Ceplac (Comissão Executiva do Plano da Lavoura Cacaueira) divulgados pelo Idaf, 18 mil dos 23 mil hectares de cacau do estado estavam em cabruca. A maior parte fica em Linhares, às margens do Rio Doce. O estado foi também o primeiro do país a disciplinar o manejo dessas áreas.</p><p>O selo chega num momento em que a origem do cacau passou a contar no preço. Nesta terça-feira (20), a arroba do cacau convencional estava em R$ 277,75 no Espírito Santo, segundo o site Preço do Cacau. A do cacau certificado estava em R$ 324,04, quase 17% a mais. Numa tonelada de amêndoa seca, a diferença passa de R$ 3 mil.</p><p>A demanda por qualidade também deve crescer. A nova lei federal do chocolate, sancionada em maio, fixa percentuais mínimos de cacau nos produtos. Para o secretário de Agricultura de Linhares, Rafael Breda Buffon, a regra tende a aumentar a procura por amêndoas de melhor qualidade, o que favorece os produtores capixabas.</p><p>O próximo passo é levar o selo da lei para a embalagem. A ideia é que o consumidor, ao abrir uma barra feita com cacau de Linhares, saiba que comprou também um pedaço de Mata Atlântica preservada.</p>