'Boom' imobiliário em Vila Velha gera fila de compradores

Aroeira Parque vendeu 411 lotes em 36 horas e já reúne mais de mil interessados na fila para novos lançamentos.

Por Ricardo Frizera ·

'Boom' imobiliário em Vila Velha gera fila de compradores

<p>Em Vila Velha, a procura por terreno já anda mais rápido que a oferta. O teste mais recente aconteceu em Ponta da Fruta. A Vaz Desenvolvimento Imobiliário planejava vender os 411 lotes do Aroeira Parque em até 36 meses. Vendeu tudo em 36 horas, ainda na pré-venda, três semanas antes do lançamento oficial.</p><p>O empreendimento tem VGV (Valor Geral de Vendas) de R$ 90 milhões. Os terrenos vão de 250 m² a 1.000 m², com preços entre R$ 170 mil e R$ 700 mil. Na prática, a empresa vendeu um lote a cada cinco minutos, o equivalente a R$ 2,5 milhões por hora.</p><p>“Não sobrou um terreno. Estou com a fila de espera com mais de mil clientes esperando para outra fase”, disse Douglas Vaz, o diretor-presidente da Vaz e presidente do Sinduscon-ES, o sindicato da construção civil.</p><p>E tem espaço para a próxima fase de desenvolvimento. Segundo Douglas, a área total tem 1,6 milhão de m², dos quais 600 mil m² ficarão preservados. Ainda restam cerca de 1.500 unidades para lançar: condomínios com lotes de 250 m², lotes abertos e uma centralidade de bairro. A avenida principal terá 26 metros de largura, com canteiro e ciclovias.</p><p>Douglas aponta quatro motivos para a rapidez das vendas em Vila Velha. O primeiro é o fim dos alagamentos, resolvidos pelas estações de bombeamento.</p><p>O segundo é chegada de migrantes de outros estados, principalmente Rio de Janeiro e São Paulo, que representam pouco menos de 20% das vendas da empresa.</p><p>O terceiro são as obras recentes: o binário, a urbanização do Parque de Jacarenema, a orla de Itaparica e a ciclovia que vai ligar Ponta da Fruta à Praia da Costa. Por fim, o metro quadrado ainda custa bem menos que na capital.</p><p>Em julho, Vaz projetou cerca de R$ 15 bilhões em VGV no Espírito Santo em dez anos. Só o Parque Nari, bairro planejado de 3,8 milhões de m² em Vila Velha, responde por quase R$ 12 bilhões.</p><p>O primeiro condomínio do bairro, o Boulevard Arbori, foi feito em parceria com a Portocale. São 538 lotes, com entrega prevista para 2029, e as vendas somaram cerca de R$ 350 milhões em um dia e meio.</p><p>A carteira inclui ainda alto padrão, médio padrão e um “produto fazenda”. Um exemplo é a Estância do Barão, área de pasto às margens do Rio Jucu que a empresa pretende reflorestar.</p><p>O próximo condomínio do Parque Nari já está em tramitação na prefeitura, e a projeção é lançá-lo até o fim do primeiro semestre de 2027. Até lá, mais de mil nomes da lista do Aroeira seguem esperando o carimbo para comprar o terreno.</p><p><strong>O projeto que roda em triângulo</strong></p><p>Para Vaz, os gargalos do desenvolvimento imobiliário em todo o estado estão na análise de projetos e no licenciamento ambiental.</p><p>“Hoje um processo entra na Secretaria de Desenvolvimento Urbano, depois vai lá no meio ambiente, depois o meio ambiente questiona a Sedur, volta para a Sedur. Aí fica essa triangulação e o processo não anda.”</p><p>A saída que ele propõe é uma comissão com as secretarias de Meio Ambiente, Desenvolvimento Urbano e Obras, que analisariam o projeto ao mesmo tempo. A ideia não é nova: em 2021, Vaz já defendia uma lei que entregasse a análise de loteamentos a uma comissão multidisciplinar.</p><p>“Eu não estou dizendo que são as pessoas que são lentas. Eu estou dizendo que precisa mudar processo”, disse.</p><p>Ele afirma que o problema não é só de Vila Velha e cita Linhares, Colatina e Aracruz. Também lembra a conta que interessa ao município: “Você aprova um loteamento, registra, faz a obra, as pessoas começam a construir, a prefeitura vai receber taxa de licença de obra, IPTU, ITBI. Depois começam a surgir os comércios, padaria, posto de gasolina, academia, supermercado.”</p><p><strong>R$ 15 bilhões na prancheta</strong></p><p>O Aroeira é a peça menor de uma carteira grande. Em julho, Vaz projetou cerca de R$ 15 bilhões em VGV no Espírito Santo em dez anos. Só o Parque Nari, bairro planejado de 3,8 milhões de m² em Vila Velha, responde por quase R$ 12 bilhões.</p><p>O primeiro condomínio do bairro, o Boulevard Arbori, foi feito em parceria com a Portocale. São 538 lotes, com entrega prevista para 2029, e as vendas somaram cerca de R$ 350 milhões em um dia e meio.</p><p>A carteira inclui ainda alto padrão, médio padrão e um “produto fazenda”. Um exemplo é a Estância do Barão, área de pasto às margens do Rio Jucu que a empresa pretende reflorestar.</p><p>O próximo condomínio do Parque Nari já está em tramitação na prefeitura, e a projeção é lançá-lo até o fim do primeiro semestre de 2027. Até lá, mais de mil nomes da lista do Aroeira seguem esperando o carimbo para comprar o terreno.</p>