Baixo Guandu terá data center com investimento de R$ 7,4 bilhões

Projeto de 100 MW será instalado próximo ao Rio Doce e pode colocar o município na rota de grandes empresas globais de tecnologia.

Por Ricardo Frizera ·

Baixo Guandu terá data center com investimento de R$ 7,4 bilhões

<p>Um grupo de investidores vai investir R$ 7,4 bilhões na construção de um data center voltado em Baixo Guandu, no Noroeste do Espírito Santo. A primeira fase foi dimensionada para 100 megawatts (MW). Hoje, todos os data centers do Brasil somam 706 MW de capacidade instalada, segundo a consultoria JLL. Ou seja, o módulo de Baixo Guandu corresponde a cerca de um sétimo de toda a capacidade existente no país.<br><br>O empreendimento ficará em área rural e industrial, a cerca de 9 quilômetros da cidade, ao lado de uma usina hidrelétrica no Rio Doce. O terreno, comprado pelos investidores, tem mais de 11 milhões de metros quadrados, o equivalente a cerca de 1.580 campos de futebol.<br><br>O projeto está na fase de desenvolvimento. Nessa etapa, os investidores oferecem o espaço aos futuros clientes antes de concluir a captação de recursos e iniciar a obra.<br><br>“Você começa a mudar a matriz econômica do estado. Você traz uma indústria de alta tecnologia para dentro do Espírito Santo”, disse Mário Rodrigues, um dos idealizadores do data center e fundador da startup capixaba Frete Rápido.<br><br><strong>Para que serve um data center<br></strong><br>Um data center é um complexo de galpões com milhares de servidores, computadores que armazenam e processam dados de forma contínua. É nessas estruturas que funcionam aplicativos de bancos, lojas virtuais, plataformas de vídeo, redes sociais e ferramentas de inteligência artificial.<br><br>Pela estimativa dos idealizadores, 100 MW de capacidade computacional permitem processar dezenas de milhões de transações de comércio eletrônico ou consultas a bancos de dados por segundo. Também seriam suficientes para transmitir vídeos em 4K, ao mesmo tempo, para 15 a 20 milhões de pessoas.<br><br>O projeto de Baixo Guandu é do tipo hyperscale, ou seja, de grande escala, voltado a alugar capacidade para grandes empresas de tecnologia. Os principais clientes mapeados são Meta, ByteDance, OpenAI, Anthropic, Microsoft e Google.<br><br>A escolha do terreno foi definida pela energia. A região tem capacidade energética disponível para atender com folga o data center sem demandar nova infraestrutura.<br><br>O terreno também tem conexão de internet de alta capacidade. Passa pela área a rede de fibra óptica que liga a região metropolitana de Belo Horizonte ao cabo submarino em Vitória, instalada ao longo da Estrada de Ferro Vitória a Minas.<br><br><strong>Consumo de água será equivalente ao de três casas</strong><br><br>Data centers precisam de refrigeração constante para que os servidores não superaqueçam. Em Baixo Guandu, o sistema será fechado: a água captada no Rio Doce é filtrada, armazenada e reutilizada continuamente. Novas captações servem apenas para repor a pequena perda diária.<br><br>“Para 100 MW de capacidade computacional, a expectativa é que ele consuma por mês o equivalente a três casas com quatro moradores”, disse Rodrigues.<br><br>Segundo ele, o impacto ambiental é menor do que o de setores tradicionais da economia capixaba, como mineração e siderurgia. “A demanda é basicamente água e energia. E a energia pode vir de fontes renováveis”, afirmou.<br><br>A obra deve gerar de 300 a 400 empregos diretos e indiretos. Em operação, o módulo de 100 MW deve empregar dezenas de empregos altamente qualificados.<br><br>“Não estou falando de empregos de R$ 1.000, R$ 2.000. São salários acima de R$ 10 mil, R$ 15 mil, R$ 20 mil, porque vai ser engenheiro de dados, engenheiro elétrico, engenheiro de manutenção”, disse Rodrigues.<br><br>Mário calcula que só em ISS, o data center pode render R$ 65 milhões por ano para a pequena Baixo Guandu.<br><br>Os investidores farão três rodadas de apresentação a potenciais clientes, em São Paulo, Nova York e Xangai. Se a demanda contratada passar de 100 MW, a expansão será feita já na primeira etapa de obras.<br></p>