ArcelorMittal vai investir R$ 5 bilhões para ampliar transformação do aço na Serra
Projeto em Tubarão terá capacidade para 560 mil toneladas por ano, prevê 3 mil empregos e deve começar a operar em 2030.
Por Redação ·
<p>A ArcelorMittal vai investir entre R$ 4 bilhões e R$ 5 bilhões na Unidade Tubarão, na Serra, para ampliar a transformação do aço produzido no Espírito Santo. O projeto terá capacidade para 560 mil toneladas por ano, deve gerar cerca de 3 mil empregos no pico das obras e tem início de operação previsto para o primeiro semestre de 2030.</p><p>O investimento prevê a instalação de um Laminador de Tiras a Frio e de uma Linha de Revestimento Contínuo. As próprias bobinas a quente fabricadas em Tubarão serão utilizadas como matéria-prima para produtos laminados a frio e com revestimento metálico, destinados a setores como indústria automotiva, construção civil e linha branca.</p><p>A mudança adiciona novas etapas à cadeia siderúrgica já existente no Estado. Em vez de limitar a unidade à produção atual de bobinas a quente, parte desse aço passará por processamento adicional dentro da própria planta da Serra.</p><p>A aprovação definitiva do projeto também ampliou o tamanho do investimento inicialmente anunciado. Em fevereiro de 2025, a ArcelorMittal estimava desembolsar entre R$ 3,8 bilhões e R$ 4 bilhões e previa 2,5 mil empregos no pico da construção. Agora, o teto do aporte chegou a R$ 5 bilhões e a estimativa passou para aproximadamente 3 mil postos durante as obras.</p><p>Quando a nova estrutura entrar em funcionamento, cerca de 450 profissionais deverão atuar diretamente na operação. As obras estão previstas para começar ainda em 2026 e devem durar aproximadamente três anos e meio.</p><p>O investimento ocorre em um momento de forte crescimento da indústria capixaba, ainda concentrado principalmente na atividade extrativa. No primeiro semestre de 2026, a produção industrial do Espírito Santo avançou 20,2%, maior alta entre os 18 locais pesquisados pelo IBGE. A extrativa cresceu 32%, enquanto a indústria de transformação recuou 2,8%.</p><p>Em julho, porém, a transformação voltou a registrar crescimento de 2,8% sobre o mesmo mês de 2025. A metalurgia avançou 7,8%, impulsionada pelo aumento da produção de bobinas a quente de aço.</p><p>Em análise publicada pelo IBEF-ES, o economista-chefe da instituição, Felipe Storch Damasceno, aponta a verticalização da cadeia como o principal significado econômico do investimento. A avaliação é que adicionar etapas produtivas pode ampliar o valor gerado pela siderurgia no Estado e criar oportunidades para fornecedores e serviços especializados.</p><p>Esses efeitos dependerão da participação de empresas locais na cadeia e da demanda gerada durante a implantação e a operação. O impacto já confirmado, porém, é industrial: a Unidade Tubarão acrescentará ao seu processo produtivo uma capacidade de 560 mil toneladas por ano de produtos com maior grau de processamento.</p>