Árabes de olho no Espírito Santo: além da UVV, fundos detêm ativos de saneamento e saúde no Estado
Além da compra do controle da UVV pelo Mubadala, outro fundo soberano de Abu Dhabi passou a controlar ativos bilionários de saneamento no Espírito Santo por meio da GS Inima. O Estado também atraiu o fundo soberano de Singapura Temasek, acionista da MedSênior.
Por Redação ·
<p>O Espírito Santo passou a figurar no radar dos maiores fundos soberanos do mundo. Em poucos anos, investidores ligados aos governos dos Emirados Árabes Unidos e de Singapura passaram a deter participações em empresas estratégicas dos setores de educação, saneamento e saúde no Estado.</p><p>O movimento mais recente veio dos Emirados Árabes Unidos. Após o fundo soberano Mubadala acertar a compra do controle da Universidade Vila Velha (UVV), outro grupo de Abu Dhabi ampliou sua presença no Espírito Santo. A TAQA concluiu a aquisição da espanhola GS Inima por US$ 1,2 bilhão, incorporando ao seu portfólio operações que somam mais de R$ 10 bilhões em contratos no Estado.</p><p>No Espírito Santo, a GS Inima venceu a concessão regionalizada de saneamento de 34 municípios capixabas, assumindo contratos de abastecimento de água e esgotamento sanitário de longo prazo. A companhia também é responsável pelo projeto de Água de Reúso de Vitória, que fornece água industrial para a Vale, reduzindo o consumo de água potável e ampliando a segurança hídrica para as operações da mineradora.</p><p>Com a aquisição, esses ativos passam a integrar o portfólio internacional da TAQA, uma das maiores empresas de energia e infraestrutura do Oriente Médio, controlada pelo governo de Abu Dhabi. A companhia informou que a GS Inima será sua plataforma para expandir globalmente os negócios no setor de água.</p><p>A compra da UVV também está inserida em uma estratégia mais ampla do Mubadala para ampliar sua presença no ensino superior brasileiro. O braço de investimentos do fundo soberano acaba de concluir a captação do Brazil Special Opportunities Fund III, de aproximadamente US$ 900 milhões, voltado exclusivamente para oportunidades no Brasil. Entre os primeiros alvos do novo fundo estão instituições de ensino superior com cursos de Medicina, além de ativos de infraestrutura.</p><p>O interesse pelo segmento não é recente. Desde 2022, o Mubadala controla faculdades de Medicina na Bahia e em Minas Gerais e já comprometeu aproximadamente US$ 7,3 bilhões em investimentos no Brasil, seu maior mercado fora do Oriente Médio. A aquisição da UVV amplia essa plataforma e marca a chegada do grupo ao Espírito Santo, incorporando uma das universidades mais tradicionais do Estado e sua primeira instituição privada reconhecida como universidade.</p><p>O Espírito Santo também atraiu outro dos maiores fundos soberanos do mundo. Em 2022, o Temasek, de Singapura, adquiriu aproximadamente 15% da MedSênior, operadora de planos de saúde fundada no Estado e especializada no atendimento à população idosa. A operação reforçou a presença de capital soberano internacional em outro segmento considerado estratégico da economia capixaba: a saúde.</p><p>Embora tenham origens diferentes, os investimentos seguem uma lógica semelhante. Educação, saneamento e saúde são setores regulados, com contratos de longo prazo, demanda resiliente e geração previsível de receitas — características tradicionalmente buscadas por fundos soberanos que administram centenas de bilhões de dólares e priorizam ativos capazes de gerar retorno consistente por décadas.</p><p>A sequência de investimentos mostra que o Espírito Santo passou a integrar o mapa dos grandes investidores institucionais globais. Em poucos anos, o Estado passou a concentrar ativos relevantes de educação, saneamento e saúde sob o controle de alguns dos maiores fundos soberanos do mundo, evidenciando o crescente interesse internacional por setores estratégicos da economia capixaba.</p>