Movimentações chegam a R$ 33 milhões: o que a Apex diz já ter descoberto sobre Fernando Cinelli
Levantamento interno registra R$ 33,2 milhões em saídas de empresas do grupo para o ex-presidente e saldo líquido de R$ 27,37 milhões.
Por Redação ·
<p>A investigação interna da Apex Partners sobre a gestão de Fernando Cinelli já rastreou R$ 33,2 milhões em transferências de sociedades do grupo para o ex-presidente entre janeiro de 2022 e agosto de 2026. Descontados R$ 5,86 milhões movimentados por Cinelli de volta para empresas da Apex no mesmo período, o saldo líquido calculado pela companhia chega a R$ 27,37 milhões.</p><p>O levantamento citado pela empresa reúne 153 transferências originadas de seis sociedades. O fluxo ganhou força em 2026: somente entre janeiro e o início de agosto, as saídas para Cinelli teriam alcançado R$ 18,14 milhões.</p><p>Uma segunda análise apresentada pela Apex à Justiça colocou outro número no centro do caso. A companhia pediu a ampliação para R$ 23,25 milhões da restrição patrimonial contra o ex-presidente, com base em 298 lançamentos financeiros que considera sem contrato, justificativa contábil ou aprovação interna suficiente. A Justiça ainda não havia decidido sobre essa ampliação até a última atualização pública do processo.</p><p>A maior parcela questionada pela Apex nessa frente é de R$ 17,23 milhões em 43 transferências realizadas pela ABM Partnership para as quais a atual administração afirma não ter localizado contrato. O restante inclui valores classificados pela companhia como remunerações, pagamentos antecipados, aportes ligados a previdência e pagamento de tributos pessoais.</p><p>A apuração interna descrita pela Apex vai além das transferências. Segundo a companhia, também estão sob análise movimentações envolvendo veículos de investimento, demonstrações financeiras, emissões de dívida sem os procedimentos formais exigidos e informações utilizadas em uma rodada de aumento de capital.</p><p>Nessas frentes, a empresa ainda não tornou públicos detalhes suficientes para dimensionar os valores envolvidos, identificar quais demonstrações financeiras teriam sido afetadas ou medir eventual impacto sobre a operação de capital. Por isso, as acusações permanecem como conclusões da investigação conduzida pela própria Apex.</p><p><strong>Cinelli contesta acusações</strong></p><p>Fernando Cinelli nega ter desviado ou se apropriado de recursos da companhia. Sua defesa sustenta que parte das movimentações questionadas tinha finalidade econômica, inclusive para operações relacionadas à participação do bloco Apex/Carbyne na CVC, e argumenta que a existência de transferências para contas do executivo não comprova benefício pessoal.</p><p>Os advogados também contestam o cálculo de R$ 23,25 milhões, que classificam como produzido unilateralmente pela atual administração, e afirmam que Cinelli ainda busca acesso integral aos documentos internos necessários para apresentar sua defesa. A manifestação questiona ainda a ausência, nos autos, do relatório da auditoria externa independente anunciada pela Apex.</p><p>A Justiça já havia determinado uma restrição patrimonial de R$ 5 milhões e autorizado a quebra do sigilo bancário de Cinelli depois de analisar, em caráter preliminar, documentos relacionados a transferências da ABM Partnership para sua conta pessoal. A ampliação para R$ 23,25 milhões foi solicitada posteriormente pela Apex.</p><p><strong>Caso chega à Polícia Federal</strong></p><p>A crise também ganhou uma frente criminal. A Apex apresentou notícia de fato pedindo que autoridades avaliassem medidas contra Cinelli, incluindo prisão preventiva, busca e apreensão e bloqueio de patrimônio.</p><p>A prisão não foi decretada. O pedido foi formulado pela própria companhia e depende de avaliação das autoridades competentes.</p><p>O Ministério Público do Espírito Santo informou que encaminhou o caso ao Ministério Público Federal em 25 de agosto. O MPF confirmou a existência de inquérito instaurado pela Polícia Federal envolvendo a Apex, inicialmente para investigar suspeitas de crimes contra o Sistema Financeiro Nacional.</p><p>A investigação ocorre em meio à reorganização financeira da plataforma. A Apex apresentou à Justiça um endividamento bruto preliminar de R$ 985,6 milhões e obteve proteção temporária contra credores enquanto trabalha na reestruturação das contas.</p><p>Fernando Cinelli foi afastado da presidência no início de agosto, após a companhia divulgar a identificação de inconsistências financeiras. Eduardo Siqueira, então diretor financeiro, também deixou o cargo. As acusações detalhadas pela Apex contra Cinelli permanecem em investigação e não representam condenação judicial.</p>