Muito além do café: a força do agro capixaba que movimenta bilhões e ainda tem muito a crescer
Além do café: agro capixaba movimenta R$ 30,6 bilhões e mostra força da diversidade no campo.
Por Walfredo Zamprogno ·
<p>Quando falamos em agronegócio capixaba, o café naturalmente ocupa o centro das atenções. Afinal, somos referência nacional na produção de conilon e temos uma cafeicultura reconhecida internacionalmente. Mas existe um Espírito Santo produtivo que vai muito além dos cafezais. E os números mostram a força e o potencial dessa diversidade.</p><p>Segundo dados do IBGE referentes a 2025, o café movimentou aproximadamente R$ 25,7 bilhões em valor de produção agrícola, mantendo a liderança absoluta entre as culturas do estado. A produção alcançou cerca de 17,8 milhões de sacas, considerando conilon e arábica.</p><p>Mas outras culturas também apresentam resultados expressivos.</p><p>A pimenta-do-reino, uma das grandes forças do agro capixaba, movimentou aproximadamente R$ 2,49 bilhões, com produção próxima de 83,5 mil toneladas. Na fruticultura, o mamão alcançou R$ 1,02 bilhão em valor de produção, enquanto a banana respondeu por outros R$ 868 milhões.</p><p>O cacau também merece destaque. Com aproximadamente R$ 542 milhões em valor de produção, representa uma importante oportunidade de diversificação, especialmente com o crescimento dos mercados de chocolates especiais e produtos de maior valor agregado.</p><p>Somadas, essas cinco culturas movimentaram aproximadamente R$ 30,6 bilhões em valor bruto de produção agrícola. Um número que demonstra a dimensão econômica do campo capixaba e sua importância para a geração de empregos, renda e desenvolvimento regional.</p><p>No comércio internacional, o desempenho também impressiona. Entre janeiro e setembro de 2026, as exportações do agronegócio capixaba alcançaram aproximadamente R$ 11,8 bilhões, com produtos destinados a 128 países. </p><p>A pimenta-do-reino respondeu por US$ 286,8 milhões, o mamão por US$ 22,9 milhões e o gengibre por US$ 21,3 milhões em vendas externas. Ainda podemos citar a produção de ovos, pescado e o pioneirismo no Agroturismo.</p><p>Entretanto, existe um ponto que merece reflexão: apesar da diversidade produtiva, nossa economia agrícola ainda apresenta forte concentração no café. Entre as cinco culturas destacadas, ele representa aproximadamente 84% do valor de produção.</p><p>Isso significa que oscilações de preços, adversidades climáticas e mudanças no mercado internacional podem provocar impactos significativos na renda de milhares de produtores.</p><p>Na minha avaliação, o próximo grande salto do agronegócio capixaba precisa acontecer por meio da diversificação, da agregação de valor e do fortalecimento das cadeias produtivas regionais.</p><p>A pimenta-do-reino pode ampliar sua presença nos mercados internacionais. O mamão e a banana oferecem oportunidades para a agroindustrialização. O cacau pode conquistar ainda mais espaço com produtos diferenciados. E atividades como gengibre, horticultura, pecuária, aquicultura e agroturismo também merecem atenção estratégica.</p><p>O Espírito Santo reúne vantagens importantes: diversidade climática, tradição empreendedora, propriedades produtivas e localização privilegiada para o comércio exterior.</p><p>Mas crescer não significa apenas produzir mais. Significa melhorar a produtividade, controlar custos, investir em tecnologia, fortalecer o cooperativismo e garantir que uma parcela maior da riqueza gerada permaneça com quem produz.</p><p>O café é a nossa grande vitrine. Mas o Espírito Santo tem muito mais para mostrar ao Brasil e ao mundo.</p><p>O futuro do nosso agronegócio será ainda mais promissor quando conseguirmos transformar toda essa diversidade em novas oportunidades de negócios, empregos e prosperidade para o interior capixaba.</p><p>Esse é o nosso olhar!</p>