Ademi-ES e Secovi se unem ao LIDE para fortalecer mercado imobiliário capixaba

Acordo aproxima o setor imobiliário de outras cadeias econômicas e prevê estudo sobre os vetores de desenvolvimento do estado.

Por Luiz Stanger ·

Ademi-ES e Secovi se unem ao LIDE para fortalecer mercado imobiliário capixaba

<p>Na coluna de hoje, o assunto é institucional, mas com consequência direta no bolso de quem incorpora, constrói, vende e aluga imóvel no Espírito Santo. A Ademi-ES e o Secovi, entidades coligadas no estado, firmaram um termo de cooperação articulado pelo LIDE Espírito Santo, aproximando a representação do setor imobiliário capixaba da rede empresarial que o LIDE movimenta no Brasil e no exterior.</p><p>O evento de assinatura reuniu Alexandre Schulbert, presidente da Ademi-ES, que representou as duas entidades coligadas, Thiago Santos, presidente do LIDE Espírito Santo, Juarez Gustavo, conselheiro da vertical Real Estate do LIDE, e a diretoria da NOVA, agência de desenvolvimento do estado.</p><p>O que é o termo. Trata-se de um acordo de parceria e de intenção para a realização de eventos, debates e fóruns ligados ao mercado imobiliário. A lógica é de complementaridade. Como me explicou Juarez Gustavo, a Ademi-ES conversa com o ecossistema imobiliário “porta pra dentro”: incorporadores, imobiliárias, corretores, arquitetos e administradores de locação.</p><p>Já o LIDE tem no Real Estate uma de suas verticais e funciona como ponte para os demais segmentos da economia, como infraestrutura, energia e educação. Duas redes que se tocam, mas não se sobrepõem.</p><p>Thiago Santos resumiu o alcance: o termo aproxima o setor imobiliário das demais verticais do LIDE que atravessam o tema e abre um leque para debates, missões empresariais e outras atividades que a rede do LIDE no Brasil e no mundo permite.</p><p>A primeira agenda já está definida. E não é evento de confraternização. É um trabalho, já contratado, de compreensão dos vetores de desenvolvimento do Espírito Santo.</p><p>A justificativa, nas palavras de Juarez, merece atenção de todo o setor: o ciclo do mercado imobiliário é longo, e as implantações de fábricas e grandes empreendimentos acontecem antes do que o próprio mercado seria capaz de atender.</p><p>Em alguns setores, na avaliação dele, já estamos atrasados. O objetivo do diálogo é fazer o mercado imobiliário atuar no planejamento, e não apenas reagir depois que a demanda já chegou.</p><p>Por que isso importa. Alexandre Schulbert colocou a questão no tamanho certo. O LIDE tomou proporções significativas como pauta horizontal, reunindo organizações das mais diversas naturezas, e o mercado imobiliário, relevante para a economia capixaba, decidiu se organizar como vertical dentro dessa estrutura.</p><p>Isso engloba desde os planos diretores dos municípios, que definem a ocupação do solo e a geração de espaços para comércio, indústria e moradia, até a atração de investimentos de fora do estado. Nesse ponto entra a NOVA, que busca entender as demandas de empresas de fora do Espírito Santo e do país: o que precisam em termos de legislação, ambiente de negócios e infraestrutura para se instalar aqui.</p><p>A decisão de localização é mais sofisticada do que parece. Schulbert deu um exemplo que ilustra o jogo. Uma grande empresa da cadeia automotiva escolheu uma cidade do Centro-Oeste para se instalar porque ali havia oferta de mão de obra feminina disponível, exatamente o perfil de que precisava para um trabalho de precisão, quase artesanal.</p><p>Empresas não escolhem endereço por acaso. Escolhem por dados, e quem tem as informações organizadas sai na frente.</p><p>A referência que o Espírito Santo deveria perseguir. A comparação proposta por Schulbert é provocativa e eu assino embaixo: a Suíça tem território menor que o Espírito Santo e construiu um parque produtivo baseado em alta complexidade, com indústria química, farmacêutica e turismo de valor agregado. Essa é a régua.</p><p>Atrair para o estado empresas com complexidade na cadeia produtiva, e não apenas volume. O mercado imobiliário é peça central nesse tabuleiro, porque é ele que organiza a infraestrutura urbana e a ocupação do solo que recebem indústria, comércio e moradia.</p><p>Minha leitura: entidades setoriais brigando cada uma pelo seu pedaço produzem pouco. Entidades articuladas em rede, com estudo contratado, acesso a missões empresariais e interlocução com outras verticais da economia, produzem agenda.</p><p>O termo entre Ademi-ES e Secovi, com o LIDE Espírito Santo como articulador, é o tipo de movimento silencioso que não rende manchete, mas muda o ambiente de negócios no médio prazo. O setor imobiliário capixaba deixou de esperar a pauta chegar e passou a construí-la.<br>Informação constrói. </p><p><strong>Um olhar estratégico sobre imóveis, patrimônio e os bastidores do mundo imobiliário.</strong></p>